sábado, 2 de fevereiro de 2013

Amor e Comprometimento

A autoestima é uma bromélia roxa que se prende ao coração.
Têm uns trouxas que dão tamanha importância a esse parasita, que são incapazes de entender que aceitar-se, procurando tirar o que não presta, já é o diferencial capaz de nos fazer alguém especial.
O ego deve ser trabalhado.
É um cara que, bem transado, vai ser um grande aliado.
Em vez de ser o motorista particular que nos leva sempre ao mesmo destino por caminhos cada vez mais entediantes, pode chegar ao ponto de perguntar "onde vamos hoje, madame?"
Se uma bruxa qualquer me perguntar, agora, o que é preciso pra eu me sentir melhor, minha resposta é "coerência". Ser fiel, no limite de minha capacidade, àquilo em que acredito.
Tudo bem que deve haver coerência até no comportamento de um psicopata e isso o faz feliz.
A somatória de nossas experiências e os valores delas abstraídos forma nossa personalidade. E isso forma nosso caráter. É por isso que somos limitados. Nossa mente está enclausurada.
Quando formos capazes de substituir experiências repetidas, obteremos novos resultados.
Imaginemos que uma pessoa compra uma muda de pé de flor. Ele definha e acaba morrendo.
Daí essa pessoa, simplesmente, conclui que os pés de flores definham e morrem e são uma grande perda de tempo.
Vai à loja de 1,99 e leva um vaso de flor artificial. Pronto.
Passam-se dois meses e o bagulho está nojento de pó e cocô de mosca. Ela põe aquilo no lixo e esquece.
Da próxima vez que for à loja vai olhar prum vaso artificial, fazer cara de nojo e comentar com a velhinha ao lado que aquilo é uma merda, blá, blá, blá...
Se esqueceu ainda que seu primeiro plano era uma flor de verdade e nem cogita se errou com ela. Se não se empenhou o suficiente lá, no começo, na ideia inicial.
Assim agimos com tudo em que nos metemos: queremos autoestima, conforto material, amor, ser bem-sucedidos.
Entretanto, fazemos pouco ou nada por isso. E achamos que a vida é injusta com a gente e que o melhor é trapacear. Deus perdoa.
Começamos nos sabotando e terminamos traindo até quem foi capaz de nos amar. Porque quem quer que ame um impostor, merece pouca consideração, já que esta não nutrimos sequer em relação a nós mesmos.
Volto ao começo: autoestima é um conceito distorcido.
Não é ponto de partida. É um dos brindes da chegada.
Não é como numa excursão tipo havaiana, onde se é recebido com colar de flores, ula-ula, bebida no abacaxi.
Autoestima se conquista no final. É meta. Que parte de um plano. Que tem a ver com vida, empenho, sorte.
A sorte de ter um amor tranquilo...
E se não tiver tal sorte, que isso faça parte da meta.
O amor é tudo. Que ele nos sustente.
E se for amor e comprometimento, melhor.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

ENTARDECE

Nada do que acontece em nossas vidas é desnecessário.
Tudo tem razão de ser e acontecer.
Tudo é resultado de nossas escolhas.
Tudo reage ao agente.
Nada passa despercebido no Universo.
Desde a folha que cai até um estranho verso.
Tudo tem que ser.
Tudo é.
Tudo há de ser o que é e o que será.
A nós cabe aprender.
Desde este instante que se vai, até o momento em ele que sai, dando ao dia a chance de amanhecer quando a noite se esvai.
A nós cabe o entardecer, que é o jeito que a vida achou de nos botar pra entender que o tempo que passa não é o dia acabando, nem a manhã se entremeando.
Talvez (e eu arrisco esse talvez), entardecer seja o jeito da vida suceder.
Pois nascemos encarcerados num pequeno ser, como manhã esplêndida, fugaz. E deixamos esta vida pequenos, encarcerados, num quase nem poder, numa noite voraz de luz.
Mas o entardecer de nossas vidas é o melhor, é o que nos trás consciência e a ela aduz o sentido de nossas existências.
Esse entardecer é a parte melhor da vida.
É quando podemos observar tudo, respirar fundo, escarrapachados em nossas redes, vendo isso, cheios de nossas verdades, e, embalados em nosso mundo, nos dar o direito de ficarmos, bem no fundo, mudos...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

DIA MUNDIAL DO ROCK


O Rock'n'roll sempre será um estado de espírito.
Estado esse que se ajeita como puder dentro do cara.
Toma conta dos espaços e os vai liberando, aos poucos, pra que coisas novas e com ele compatíveis os ocupem.
É atemporal (vide Beethoven) e não trata, ou pouco importa, a música.
Liberdade e respeito. É isso o que importa.
Liberdade e respeito pra consigo e pra com todos os seres.
"Respeito é a Lei", como diz o Teco Martins.
Salve o velho-novo rock'n'roll!
Um "Viva!" às grandes velhas-novas almas que trazem em si seu velho-novo espírito!

domingo, 1 de julho de 2012

A SAUDADE MATA A GENTE

A Saudade pode ser produtiva. Traz referências. Mas tb pode nos ligar ao passado, ao ido, ao isolado. Saudade produtiva nos traz ao presente, ao que queremos verdadeiramente, ao que precisamos. Impossível não sentir saudades, impossível sermos indiferentes. Mas é possível fazer da Saudade o que temos de quente, fazer de nosso corpo um pote, um grande vaso, que, de forma diferente, comporte nossos laços de amor e amizade; pode ser algo que nos traslade à nossa condição, que, no fundo (no fundo), é apenas a de aprender a amar, tendo como estopim a paixão e, assentados num e noutro, nos leve a crescer e ver, em cada um o quanto bela é a vida e quanto os remendos no coração fazem valer cada ferida.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia Feliz

Há quem sinta que um como hoje
Seja um dia superado.
Desiludido, sem amor ou mal amado,
Vive o ranço dos despeitados.
Mas há os românticos inveterados...
Aqueles que sonham e acreditam,
Fazem de um tudo: pactos com a lua,
Promessas e mandingas
pra prenderem o ser amado.
Tem os ficantes, os ficados, que, num
Dia como o de hoje, acabam ficando
sem uma prenda, sem um agrado...
Há também o que perdeu seu amor
E anda por aí meio desesperado.
Tem uns que, de tanto buscar ou esperar,
Já não querem saber desse papo furado.
E, às vezes, nem é bom falar de corda
em casa de enforcado...
Ah, mas há os que se curtem, se acarinham,
Trocam presentes, olhares, abraços e
um bocado, mas um bocado de beijos,
Carícias de amor molhado
E é nessa hora que se enternecem todos
Ao receberem um grande,
ou mesmo um acanhado desejo de
“Feliz dia dos Namorados”...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

DIAS MELHORES EM NOSSAS MÃOS

‘Bora fazer dias melhores.
Um de cada vez.
Botar uma pecinha que seja, ao dia,
nesse enorme quebra-cabeça que é nossa vida.
Olha como, durante todos esses anos,
vimos encaixando as pecinhas
apenas por sua forma, mas sem construir
a figura certa...
Parece que vem sendo montado por
criancinhas esse quebra-cabeça.
Chega a hora de olhar direito,
ver bem a tampa da embalagem,
desmontar as partes erradas, retirar as peças
inadequadas e reconstruir a figura.
Dessa vez do jeito certo, pra que possa ter sentido,
pra que, mesmo que seja devagar, ao final da
jornada, possamos nos orgulhar de ter montado um
grande quebra-cabeça de, sei lá, 433 mil pecinhas,
formando uma linda paisagem.
Daí emoldurá-la, pendurar na
parede das nossas almas, como referência
das dificuldades superadas,
junto de alguém ou não, mas com afinco.
E aí, sim, pegar um novo quebra-cabeça.
Quem sabe um de, sei lá, 866 mil peças...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

PAIXÃO #2



Estar apaixonado não implica em depois.
É viver um momento num estado que não explica o antes.
É ficar emocionado pelo fato de ser um em dois.
É um querer insano, é desejar estar grudado,
Sem pensar em que ano estamos ou em que ano foi.
É não pensar na vida, não cuidar das feridas,
É deixar tudo de lado, é apenas querer ficar ao lado
De quem, em vez de um, faz dois.
É amar cada segundo, como se o mundo estivesse pronto.
Pronto pra acabar no próximo instante, e a gente,
Um segundo antes, tivesse a certeza de que,
No próximo segundo estaremos juntos,
Fazendo do mundo acabado,
Apenas um espaço assolado, isolado pela paixão de nós dois.
Estar apaixonado é acreditar na vida.
Pois a paixão dura e é eterna.
Ela pode ser eterna como eterno é o amor.
Basta querer ter vida, ser vivo, mas isso não é amor.
Amor é o universo, não cabe num verso,
Mais a paixão sim.
É o que faz querer viver,
É a sensação do poder,
É o senso do divino que,
Desde o ser mais pequenino,
Capaz de lutar pela vida,
Tendo dentro uma fúria,
Tendo em si a eterna busca
Pelo amor e sua consolidação
Vai seguindo, indo,
Pois, sem ela, não há amor que resista,
Ela é do amor o estopim.
Ela é a paixão.