terça-feira, 19 de julho de 2011

QUANDO OS ANJOS VÊM

(aos nossos filhos)

Quando nasce um anjo na nossa casa, no nosso colo, é uma coisa tão mágica que a gente sabe que é um anjo.
Embora ele não tenha asas, tenha sexo, a gente sabe que é um anjo.
Quando nasce um segundo anjo, a gente parece estar acostumado, e nem percebe que o primeiro já está empenando...
Esses anjos vão crescendo, ganhando nosso mundo – tanto o quanto já haviam ganho os seus, que a gente põe mel nos olhos, se enternece e agradece a Deus.
Mas, esses crescidos anjos ganham suas asas e voam, com suas pequenas asas e suas penas, que a gente deseja pequenas, e eles se vão. Vão e ficam. Ficam nas nossas pequenas almas, nas nossas penas, nem sempre pequenas – já velhos anjos que somos, e voam.
Vão pras suas vidas. Seguem a fazer anjos, que nascem pequenos, desses de que dependemos pra ter nossas vidas de volta, fazer uma reviravolta e voltarmos a ser anjos também pequenos....

terça-feira, 5 de julho de 2011

João Gilberto, João Donato, João Bosco, João Parahyba, João Batista, e eu: João Bobo... Conheço a flor do swing, o caule do samba, a folha da bossa e a raiz dos bambas... Saravá e axé. Viva o funk, viva o coco, o furacão mulher e, acima de tudo, viva a velha guarda alvinegra do samba e do chorinho (dito tango brasileiro), Chiquinha, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Villa Lobos; papai Noel Rosa, Cartola...
É tanta gente, que dificilmente, é possível fazer justiça. Guinga. Arismar, Tinoco, Rolando Boldrin, meu Avô, minha mulher, Júlia (minha filha), Leandro (meu filho), Sivuca, Hermeto, Yamandu, Mário Eugênio, Darwinson, Ton, Rafael, Kiko, Cacho, Jobim, Lula Galvão, todos os mineiros, gaúchos, baianos e cariocas, todos os paulistas, cearenses e goianos, matogrossenses...
Todos os Marcelo Ribeiro e Marcos Belama, todos os goianos e Alê Magno, Todos os todos e mais quem nem cabem aqui... Meu amor por vcs. Pela Música.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Preciso de respostas


Quando a idade média via a merda como sinônimo de saúde e,dois séculos depois,vivia a idade da luz,as pessoas morriam de sujeira,falta de banho.Tudo isso na Europa.Tudo isso na Ásia.Já,aqui,na chamada América do Sul,havia higidez.Havia o beijo.Havia o tomar banho todo dia e ervas aromáticas e sabugos pra escovar os dentes...
Hoje,me pergunto: a quem interessa manter uma nação de frágil 3º mundo numa ignorância sem fim,fomentar sua aculturação,valorizar o pior de sua manifestação popular e acelerar seu analfabetismo.A quem interessa retirar o melhor de seu consumismo,fomentar o anacronismo social (haja vista Grécia e Roma em seus piores momentos),a irresponsabilidade quanto a um ponderável futuro saudável.Nossos políticos são tão analfabetos e ridículos,que não se pode atribuir a eles essa responsabilidade.Não temos mais direita ou esquerda.Temos uma mídia de bosta (embora nossa propaganda seja das melhores do planeta).Temos a melhor música do mundo.Somos uma nação de boa índole.Temos tudo o que há de melhor (mantemos valores morais e aceitamos novos),somos religiosos,sem radicalismos.Etc.,etc.Caralho,veios,A QUEM INTERESSA EMULAR NESTA NAÇÃO UMA IGNORÂNCIA SEM FIM? QUEM GANHA COM ISSO? Preciso de respostas...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aniversário da mulher que amo

Na primeira vez em que eu disse que queria envelhecer ao seu lado, foi quando eu tinha a idéia de que envelhecer era sinônimo de brandura, de conquista da paz e de um longo caminho vencido, e seria quando nos sentiríamos jovens o suficiente pra viver mais, mais e mais.
O tempo passando e eu pensando que queria envelhecer ao seu lado: os dois cheios de energia, sabedoria e da sensação de ter cumprido uma promessa, mas com a certeza de termos feito tudo de melhor e de, daí, curtirmos as conquistas...
Mais um aniversário seu, daqui um pouco o meu, e eu cheguei à conclusão de que não quero mais envelhecer ao seu lado.
Quero rejuvenescer e que, nós dois, juntos, retomemos do ponto de onde partimos, pra nunca envelhecermos, seja ao lado, ao longo ou perto do que quer que seja.
Quero que nossas almas vivam – vivas – pra sempre, mas sempre ao seu lado e que façamos o que ainda não pudemos ser capazes, já que, pra nós, uma vida é pouca. Precisamos que seja pela eternidade, pra que sejamos, depois de Um, todos os que pudermos ser.
Meu amor por você vai me reconstruir, vai nos levar adiante e o seu amor por mim vai nos energizar.
Feliz aniversário. Feliz mais um aniversário.
Todo o meu amor.
Seu, Rogério.
31/8/2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PARA NÃO ESQUECER

Eu a conheci antes de você
E então eu sonhei que devia ser
O que eu achava que você queria
E, nesse sonho, esqueci de buscar saber
O que é que seria o seu querer

Fiz um milhão de planos
Risquei um zilhão de traços
Achando que meus abraços
(me entrelaçando sempre em seus braços),
Eram respostas, e isso era viver

Insisti nessa idéia, fiz promessas
Escrevi e falei palavras à bessa
Fiz canções, chorei, quase morri,
Falei, falei, estraguei canetas, nem vi
Quase a matei, mas sei

São pra você as canções que hoje eu canto,
Pra você as canções que sempre faço,
Amo você e a gente nem sabe quanto,
Que nem sei o que dizer
Pra você não me esquecer...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Retornando...

Aproveitando a liberação da campanha eleitoral, voltei postando um texto que escrevi há algum tempo, mas que acredito continua atual.
Aproveito para agradecer ao “Jornal do Núcleo”, de Peruíbe, edição de julho de 2010 que o publicou.

QUASE...

“Votamos no quase honesto, pois quase confiamos nele.
Acabamos de entrar pelo cano.
Por pouco não reagimos, quase nos revoltamos.
Mas quase confiamos na justiça e na sorte.”

Mundo Livre S/A – in Por pouco (© 2000)


Entre a obrigatoriedade do voto no Brasil e as opções que nos apresentam, permanecemos no eterno dilema que é o de escolher o “menos pior”...
Pouquíssimos cidadãos de bem se metem na política. Uma ínfima parte sequer chega a ser candidata.
É, talvez por isso, que a pessoa comum (o cara que, entre contas atrasadas e parentes desempregados - ou ele próprio sem emprego), não se anima a memorizar em quem votou nas eleições passadas, não pensa em escrever (se souber) um “diário” envolvendo seus eleitos, não coleciona programas de governo, não traz na ponta da língua a “escalação” dos vereadores de sua cidade como talvez seja capaz de trazer a de seu clube de futebol...
A mentalidade brasileira, que se ajusta feito água de cascata a cada degrau que a pessoa suba ou desça na escala social, é o que dá ânimo à quase totalidade dos profissionais da política a entrar para esse negócio.
Daí, parafraseando Mundo Livre, eu digo que quase percebemos o mal de que sofremos, por pouco não assumimos uma posição positiva a respeito e estamos por um triz de agirmos de forma franca e honesta. Quase já acertamos.
Faremos o voto útil (seja lá para quem quer que haja utilidade); votaremos no menos ruim; no amigo, no amigo do amigo, ou contra o inimigo, no sei lá mais quem.
Depois, voltaremos aos nossos lares, gratos por termos superado mais essa obrigação, à procura de nossos controles-remotos, os quais nos guiarão, precisos, a novos escândalos políticos, aos mesmos cenários sociais, aos eternos campeonatos esportivos, à nossa mediocridade, à nossa retórica de balcão de bar...

Rogério (Lelo Reis)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Para fazer um violão

Pra fazer um violão
(sem levar em conta a invenção)
foi preciso que o sol tenha
brilhado o tempo certo
e a chuva caído na medida -
tanto aqui como no sul e no nordeste.
E na Tanzânia, onde pra nós
tudo parece outro planeta...
Tudo isso por muitos anos.
Foi preciso que, de preferência,
não tivesse havido secas,
queimadas, enchentes
ou (por razões infindas),
ações humanas.
Pra que estas não tivessem
arruinado o meio, o ambiente,
pra que, daí, aquelas velhas sementes
em madeiras se tenham virado.
Foi preciso muita coincidência...
E que as árvores tenham
crescido - e vivido lindas...
E que um dia, como a vida vinga,
com o cuidado de um curupira,
um caboclo, um mestiço
ou uns torcedores do coríntia
tivessem colhido uns desses
paus e os vendessem.
Só que, pra fazer um violão e,
ainda, sem levar em conta a invenção,
seria preciso fôrmas,
ferramentas - precisaria um artesão,
um gepeto que sonhasse dar vida,
com suas mãos, a pedaços de paus...
Vê que coisa linda: foi preciso
muitas mãos pra fazer um violão.
Precisou muito mais que consciência...
Mais que coincidência.
Também mais que paciência.
Precisou de-um-tudo...
Precisou de história, de poesia e de sonho...
De muita magia precisou um violão!
Já, pra fazer um violonista...